Faz tempo que não posto aqui, então fiquem com um post do ano passado que eu acho bem legal.
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Quando cheguei ao Media On – evento com palestras e discussões sobre jornalismo na “era online” – notei o telão que mostrava twitts marcados com a tag #mediaon. A maioria era de gente que estava lá, ou assistia às palestras pelo site do evento e queria, não, PRECISAVA postar uma frase dita por alguém que estava no palco. Não demorei muito pra pensar “Isso aí vai dar merda.” Até pensei em twittar “Quero ver quanto tempo dura esse telão até alguém postar um palavrão. #mediaon”, mas achei melhor não ser um instigador (coisa rara, adoro instigar).

Chegou a hora do último painel do dia: “Jornalismo Sem Intermediários”. O Itaú Cultural estava lotado de gente que veio ver a parada só porque o Danilo Gentili faria parte da discussão. Eu, na minha falta de visão, não pude prever que seria esse o estopim para o telão com twitts ao vivo se tornar o verdadeiro astro do evento. Até então ele havia sido só uma espinha irritativa, destraindo a mim e outras pessoas quando queriamos ouvir o que Marcos Foglia, do Clarín Global, tinha a dizer.
O painel começou, percebi que este seria uma comédia, não pela presença do comediante/repórter do CQC, mas porque desde o primeiro momento tudo parecia uma bela comédia de erros.
A mediadora era Marion Strecker, diretora de conteúdo do UOL, eu nunca havia a visto ou ouvido falar no rádio nem nada, então não sei se o que se seguiu é corriqueiro, mas ela falava como quem estava tremendo de frio, uma cadência estranha e meio preocupante até, mas sei lá, cada um com seus problemas. Camilla Menezes, filha de Mano Menezes e que cuida do twitter dele, falou um pouco sobre o seu case. Ela ficou lá dizendo como o twitter do pai que ela escreve é muito legal, muito popular, muito isso e muito aquilo.
Depois foi a vez de Altino Machado, que faz o Blog da Amazônia, ir falar sobre a história dele fazendo jornalismo lá no cu do mundo: o Acre. Ele também acha que há muito preconceito dentro da imprensa quando se trata de cobrir acontecimentos no território amazonense e no norte do país em geral. Eu até concordo, mas não me importo tanto quanto ele, eu prefiro jogar pebolim. Altino também mencionou como o blog é mais rápido que Telex, acho que isso é falar sobre jornalismo na era da internet. Aí o tempo dele acabou, ficou tudo meio corrido e mais uma vez A VOZ DA AMAZÔNIA FOI EMUTECIDA PELA GRANDE IMPRENSA DO SUDESTE DESTE PAÍS! Ok, esta última parte foi só para apaziguar o tipo de gente que fala isso, mas quem fala isso também nem lê isso aqui.
Quando chegou a hora de Danilo Gentili falar ele não tinha uma apresentação em Power Point para mostrar. Levou menos dois pontos por falta de preparo. O garotão falou um pouco sobre gostar de fazer comédia e foi isso. Eu juro.
Agora todos os participantes estavam sentados e prontos para debater, mas primeiro Marion Strecker PRECISAVA perguntar mais algumas coisinhas sobre o twitter do Mano Menezes (a quem a própria filha se referia como “o Mano”, o que é meio estranho, confuso, será que é algum caso de incesto bizarro que faz com que o pai dela seja seu próprio mano?) Nessa hora eu já estava mais interessado em ler o spam que se acumula na minha caixa de emails do que ouvir alguma coisa sobre um treinador de futebol, mas Danilo meio que tentou polemizar e transformar aquilo em debate acusando o twitter de Mano Menezes de usar “script” (o esqueminha mutreteiro pra quem quer ganhar um montão de seguidores automaticamente). Não deu muito certo, a conversa durou pouco, o Gentili parecia ter desistido de brigar até porque Marion estava menos pra moderadora do que pra advogada de defesa da dona Camilla Menezes.
Mais ou menos nessa hora o telão chamou a atenção. Era um post de uma garota que dizia “É sério que as mensagens aparecem no telão? OMG! Danilo, me pega!”. Estou parafrazeando, essa coisa esperta que só quem não tá afim de achar o twitt original faz.
Muita gente começou a rir (eu também) e o flood de twitts tentando chamar a atenção a platéia começou, era gente falando que Camilla Menezes era Glória Peres, que Marion Strecker sofria do mau do sanduíche, que falava como uma cabra, etc.
O twitter havia seqüestrado o evento e assim a atenção de todos presentes, mas durou pouco. O telão voltou a exibir o logo do Media On e toda a diversão acabou.
Ao invés de discutirem a fundo o que havia ocorrido Marion Strecker preferiu continuar lendo perguntas da platéia sobre o pseudo-racismo de Danilo e a personalidade dividida de Camilla Menezes, que trabalha sendo o próprio pai na internet.
Camilla não pareceu entender o comentário de que o twitter de Mano Menezes tinha sim um intermediário: Ela. Menezes continuava a dizer somente “Não tem intermediário. Quando ele entra lá, ele lê o que quiser. Quando eu posto algo, ele pode dizer depois que não gostou.” Pois então, só depois da INTERMEDIÁRIA ter decidido o que postar. Mas deixa pra lá, eu não ligo e nem sigo o Mano Menezes no twitter.
Quanto as questões do diploma de Danilo Gentili, sua “falta de controle” quando se trata de postar piadas e comentários no twitter e coisas do gênero, elas foram dispensadas rapidamente por um Danilo que não parecia muito afim de discutir nada. Ele só dizia “É porque é meu, eu faço o que quiser.” e “Eu sou gente como vocês.” Que comentariozinho mais sulamericano. Claro que você é gente como a gente, mas Danilo, gente como a gente não é repórter do CQC, comediante famoso e nem tá ali no palco participando do debate.
Enfim, tudo foi meio corrido, nada pareceu remeter ao tema “Twitters e blogs aproximam fonte e consumidor de informação” e o pobre Altino Machado ficou, como o Acre, meio esquecido ali do lado.
Tags: acre, água com gás, danilo gentilli, mano menezes, mediaon, twitter, uol